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terça-feira, 25 de março de 2008

os "perigos" de sair com certas camisetas




"Cold As Ice" - Foreigner

Ganhei uma camiseta muito bonita da Thais. Foi um presente pelo meu aniversário do ano passado. Ela é vermelha, com manguinhas bufantes, algo como se fosse Branca de Neve moderna. Tão moderna que tem um escrito em prata...
Resumindo eu ADOREI o meu presente, mas meio que previ que ela poderia me dar algum "trabalho".


Lá estava eu, correndo de um lado para o outro com menos de duas horas para me arrumar e chegar ao Via Funchal para o show do Bob Dylan. Vesti a peça mais confortável do mundo (= calça jeans) e fiquei presa na questão... que blusa eu vou? Queria algo entre arrumadinho e despojado, mas sabe como é mulher... Independente da quantidade de roupas que ela tenha, nunca tem o bastante, nunca tem AQUELA! Foi então que vi uma coisa vermelha e bonita. Peguei o presente da Thais e vesti, sem me preocupei muito com o que estava escrito e parti para o Via Funchal.


Chegando lá, tudo cheio, lotado, gente para todos os lados. Peguei meu convite e entrei. Achei minha mesa, sentei bonitinha e esperei pelo início do show. Em volta, tinha gente de todas as idades, famílias inteiras, pessoas sozinhas. E duas mesas para a (minha) direita um grupo de pessoas "diferente". Diferente porque eu não esperava encontrar no show do sr. Dylan membros do Hell's Angels. Quando falo membros do Hell's Angels, quero dizer, homens grandes, que falavam em inglês, vestidos com jeans e jaquetas de couro com bordados enormes nas costas. Acho que eles estavam em umas 10, 12 pessoas, que se destacavam e muito entre mães, pais, madames e senhores de terno.


O show aconteceu. Duas horas de Bob Dylan um pouco mudado. Na hora de ir embora esperei que a casa esvaziasse um pouco e fiquei em pé, perto de uma das saídas. Quando dou de cara com um homem, de jaqueta de couro, careca, de 1m80cm e "cara de mau", me encarando e chegando perto. Era ele, o "sr. líder" dos Hell's Angels vindo em minha direção. E é claro que eu congelei.


Foi então que ele parou a uns três passos de mim. Eu sem entender nada. E aí ele se inclinou e meio que virou a cabeça para a (minha) esquerda para ler o que estava escrito na camiseta e murmurou...
"Pleeeaaa...see, dis..." e soltou um alto e claro !


E foi contar para os amigos dele... Eu aproveitei a brecha e me mandei rapidinho, morrendo de vergonha... e claro, rindo muito da reação dele.


O que está escrito na minha camiseta???


PLEASE DISTURB ME!

Desde que ganhei o presente venho tomando coragem para escrever com caneta um DON'T entre o PLEASE e o DISTURB, mas o medo de estragar minha linda camiseta sempre me impediu de seguir em frente. :/
Sabe o que é "pior", a Thais quando me deu a blusa disse: “foi exatamente por conta do que está escrito que eu comprei para você!”

Grande amiga ela, né? Hahaha.

post escrito ao som de "Cold As Ice", do Foreigner

sexta-feira, 7 de março de 2008

eu fui e foi lindo






O que parecia impossível, caiu no meu colo na última hora. Agarrei a oportunidade com as duas mãos e ganhei uma noite mágica.
Queria, de fato, ter dividido cada momento das duas horas com meu pai, mas acho que aí era abusar da minha fada madrinha.
Percebi que o receio que tinha de ver shows sozinha passou, claro que alguns lugares ainda não acho boa ideia ir desacompanhada, mas se for pra ficar sentadinha curtindo um som, dá pra encarar.

No total foram duas horas de música boa, povo comportado - com excessao de uma garota que tava surtada e subiu ao palco, não só uma, mas duas vez... no final o prêmio dela foi ser carragada por seguranças diferentes.
Ele subiu ao palco, de chapéu preto e terno prata. Postura de um senhor de mais de 60 anos bastante integro, e com energia suficiente para tocar duas horas direto, com mínimas pausas entre cada canção. Ele quase não falou com a platéia, mas sabe, nem acho isso tão ruim. Esse lance de ficar puxando o saco, fazendo juras de amor não me convence. Ele não parece ser esse tipo de gente, prefiro que não me iluda! E penso que reclamarmos quando a interação do artista com o público é pouca, bate naquela tecla que falei há uns post atrás: carência.
Gente, coloquemos na cabeça que pagar os olhos da cara por um show não nos dá o amor incondicional do Bob Dylan, nem de qualquer outro artista.





O único porém foi o fato de que nessas duas horas, diversas músicas conhecidas popularam o repertório do show, mas passaram batidas já que foram rearranjadas, fazendo com que ficassem praticamente irreconhecíveis. Deixando todo mundo (eu inclusive) com água na boca, por ter "tido" Bob Dylan por duas horas e não ter conseguido cantar junto. Nem "Like A Rolling Stone", uma das poucas que todo mundo reconhceu, escapou. Mesmo as pessoas se esforçando muito para acompanhar foi difícil, com a gente cantando de um jeito, em um tempo, e ele em outro. Além disso duas músicas que eu queria muito ouvir ficaram de fora, "Mr. Tamborine Man" e "Lay Lady Lay", mas também nem sei se tenho tanto direito de reclamar...
Primeiro porque não paguei 900 reais para assistir ao show, mas principalmente pelo fato de que o homem está aí há 40 anos, com hits e mais hits espalhados pelas diversas fases de sua carreira. Acho que ele pode sim rearranjar suas canções, porque imagino que seja pior do que viver para sempre é ficar quatro décadas tocando as mesmas músicas, do mesmo jeito que elas foram compostas há anos atrás.
Gente acho que se o show foi bom, o que de fato aconteceu, we should give him a break, cut him some slack...


O resumo "da ópera"?
Um show lindo!











E onde ainda "conheci" uns Hell's Angels, mas isso é história pra depois!

Fotos divulgação por Marcos Hermes

segunda-feira, 3 de março de 2008

bob dylan




Robert Allen Zimmerman, adotou como nome artístico Bob Dylan e começou sua carreira em 1959. Dylan ficou mundialmente conhecido por suas belas canções folk rock de letras lindamente escritas, seja sobre o assunto que fossem.
Na sua vida, além da música, Dylan também se envolveu com outras formas de arte, como a pintura e o desenho, tendo até lançado um livro com seus trabalhos chamado Drawn Blank, em 1994 e literatura, escrevendo o livro Tarântula (1966).

Sua música pode não ser exatamente o que se ouve na mídia, mas seu último disco, Modern Times, lançado em 2006, chegou ao topo da parada de discos mais vendidos nos Estados Unidos, fazendo do músico (da época com 65 anos) o artista mais velho a ter um CD. E junto com isso, gostando ou não de seu trabalho, tem que se respeitar a obra de Dylan.

Mas além de falar bem, venho aqui para me dizer indignada. O que temos que fazer para melhorar as coisas nesse nosso canto, nesse nosso Brasil?
Há 10 anos atrás nos chamavam de País de Terceiro Mundo. Aos poucos as coisas tem mudado, os números dizem que estamos caminhando, e dessa vez pra frente. Hoje somos um País em desenvolvimento, mas pera lá...
Somos tão tapados que além de sermos usurpados diariamente a torto e a direito por políticos, iremos ser coniventes com o roubo descarado??? Entregaremos nosso salário do mês de mão beijada?

Cresci entre outras coisas ouvindo músicas de Bob Dylan e quando soube que ele viria ao Brasil, fiquei toda animada, pensei até em dar de presente para meu pai um ingresso, para irmos os dois assistir ao show.

E aí, os preços dos dois shows (05 e 06 de março) que o Bob Dylan fará em São Paulo... e minha pequena surpresa se transforma em triste ilusão.





O problema é que somos muito carentes, tínhamos que aprender a dizer não...
A falar que mesmo cultura não tendo preço, 900 reais é um pouco demais.

Sei que custa caro trazer o artista, produção e assim por diante, mas se não tivermos dó de nossos bolsos, estamos perdidos, porque pode ter certeza que outros não terão.



(letra de Mr. Tambourine Man)
Fotos: divulgação.